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Melanoma

Por Dra. Indira Valente para o Blog das Clínicas Hexsel de Dermatologia

Um tema muito importante na dermatologia é o melanoma cutâneo, que vamos apresentar hoje. Se tiver dúvidas, entre em contato conosco.


O que é melanoma?

As células que produzem a melanina, pigmento que dá cor a nossa pele, são os melanócitos. O melanoma é um tipo de câncer que ocorre quando os melanócitos começam a se multiplicar de forma desordenada.

O melanoma não é o tipo de câncer da pele mais comum, porém é o mais agressivo, com capacidade de gerar metástases, ou seja, de se espalhar para outros órgãos do corpo, especialmente pulmão, fígado, ossos e cérebro. Segundo o Intituto Nacional do Cancer (INCA), anualmente são previstos 8.450 casos e mais de 1.900 óbitos provocados pela doença no Brasil. No entanto, felizmente o melanoma tem mais de 90% de chance de cura se for diagnosticado e tratado precocemente.

O melanoma pode se desenvolver em qualquer região da pele, mesmo em locais não expostos ao sol. Atingem principalmente o tronco nos homens (peito e costas) e as pernas nas mulheres. Mas é importante saber que o melanoma também pode surgir nos olhos e no trato digestivo. Ele é mais raro nas pessoas de pele escura, mas quando ocorre, pode atingir as palmas das mãos ou as solas dos pés.


Como o melanoma se apresenta na pele?

A maior parte dos melanomas surge como uma nova área ou sinal pigmentado na pele, ou seja, ele pode surgir em uma área sem nenhuma lesão preexistente. Ou então, o melanoma pode se apresentar como uma pinta que já existia, mas que começa a crescer, mudar de forma ou de cor. Como o melanoma surge das células que produzem melanina, a maior parte deles tem coloração em tons de castanho, mas alguns podem não produzir melanina e serem rosados, vermelhos e até brancos. Aqui já se pode concluir que, se surgir uma lesão nova ou uma lesão mudar de cor, o melhor é procurar o seu dermatologista.

Existe uma regra simples que descreve as características do melanoma inicial, chamada regra do ABCDE:

  • Assimetria: Dividindo-se a lesão ao meio, o formato de uma metade não corresponde à outra metade.
  • Bordas irregulares: O contorno da lesão é irregular e mal delimitado. O pigmento pode se espalhar para a pele ao redor.
  • Cor variada: A lesão tem mais de uma cor, que pode incluir diferentes tons de marrom e preto. Algumas vezes pode haver áreas brancas, cinzas, vermelhas e azuis.
  • Diâmetro: A lesão tem mais de 6 mm de diâmetro.
  • Evolução: Há mudança no tamanho, na cor ou no formato da lesão.

Alguns melanomas não se enquadram nestas regras, por isso é importante sempre procurar o dermatologista caso haja alterações nas lesões de pele ou novas lesões de aparência diferente do restante das pintas existentes.


Quais são os fatores de risco para o melanoma? Quem tem mais chance de ter um melanoma?

Alguns fatores podem aumentar a chance de uma pessoa ter um melanoma. Os principais são:

  1. Exposição solar: é o principal fator de risco para o melanoma! A radiação ultravioleta causa alterações no DNA das células da pele que pode levar ao desenvolvimento do melanoma e de outros tipos de câncer de pele.
  • Quanto maior a exposição solar ao longo da vida, maior a chance de melanoma (ex: pessoas que trabalham expostas ao sol).
  • Queimaduras solares com bolhas na infância aumentam o risco de melanoma.
  1. Bronzeamento artificial: fontes de radiação UV artificial como câmaras de bronzeamento aumentam o risco de melanoma, mesmo quando realizadas poucas sessões ao longo da vida.
  2. Nevos: também chamados de sinal ou pinta, são lesões pigmentadas benignas muito comuns da pele. São geralmente pequenos, arrendondados e de uma cor apenas. A chance de um nevo virar um câncer de pele é extremamente baixa. No entanto, pessoas com mais de 50 nevos ou com um nevo atípico, que é um nevo com características mais irregulares em relação ao tamanho, formato e cor, tem chance maior de desenvolver um melanoma.
  3. Pessoas com pele, olhos e cabelos claros
  4. História pessoal de melanoma: pessoas que já tiveram um melanoma tem risco aumentado de desenvolver outros melanomas.
  5. História familiar d emelanoma: pessoas com parentes de primeiro grau com melanoma tem maior riscoe precisam fazer prevenção.
  6. Idade: o risco de ter um melanoma aumenta com a idade. No entanto o melanoma pode acontecer em jovens menores de 30 anos.


Como o melanoma é diagnosticado?

Essa parte é a mais importante. O dermatologista possui conhecimento e ferramentas para diagnosticar um melanoma na sua fase inicial. Os seguintes exames e procedimentos podem ser realizados:

Exame dermatológico com dermatoscopia:
O dermatologista avalia a pele do paciente examinando todos os sinais, “pintas de nascença” ou outras áreas ou lesões pigmentadas. Para isso, utiliza-se um dermatoscópio, aparelho que amplia a imagem e usa uma luz que permite a visualização de estruturas internas da lesão que não são vistas a olho nu. Com este aparelho, é possível identificar lesões suspeitas de câncer de pele de forma mais precoce e eficiente.


Como prevenir o melanoma?

Para pacientes com alto risco de desenvolver câncer de pele, principalmente aqueles com múltiplos nevos e parentes com melanoma, recomenda-se fotografar todo o corpo e cada uma das pintas usando um dermatoscópio acoplado à uma maquina fotográfica digital. Esse exame é chamado Mapeamento corporal total digital.

Mapeamento corporal total e dermatoscopia digital: você pode saber mais sobre esse importante exame clicando aqui.


Além da consulta dermatológica, onde será feita a dermatoscopia, que outros exames são usados no diagnóstico do melanoma?

Biópsia

Quando o dermatologista encontra uma lesão suspeita de melanoma ou de outro tipo câncer de pele, é necessário realizar uma biópsia para confirmar o diagnóstico ou o tipo de cancer. A biópsia é um procedimento cirúrgico em que um fragmento da pele é retirado para análise histopatológica. É realizada no consultório sob anestesia local. Para lesões suspeitas de melanoma, toda a lesão é retirada, quando possível, e enviada para o laboratório de patologia. Chamamos Biópsia  excisional.


O melanoma tem cura?

Sim! O melanoma diagnosticado precocemente é facilmente tratado e tem grandes chances de cura. Por isso é tão importante efetuar o diagnóstico nas fases iniciais e instituir o tratamento adequado. A remoção cirúrgica do melanoma é a primeira escolha de tratamento para todos os estágios do melanoma. A lesão é totalmente retirada com uma área de pele normal ao redor para garantir que nenhuma célula cancerígena permaneça na pele.

Nos estágios mais avançados o tratamento é mais complexo, especialmente quando o melanoma já gerou metástases. Entretanto, os estudos sobre tratamento do melanoma metastático avançaram muito nos últimos anos, com surgimento de novas drogas e novos protocolos de tratamento, que conseguem melhorar o prognóstico e aumentar a sobrevida desses pacientes. É o caso, por exemplo, da terapia alvo, em que são usadas medicações que conseguem identificar e atacar tipos específicos de células tumorais e da imunoterapia, um tratamento que estimula o sistema imunológico do paciente a lutar contra as células do câncer.

Que medidas podem ser adotadas para a prevenção do melanoma?

A prevenção, assim como o diagnóstico precoce, é muito importante. Listamos abaixo outras formas simples de proteger a nossa pele.

  • Evitar a exposição solar entre 10h e 16h, quando os raios do sol são mais intensos;
  • Lembrar que, mesmo nos dias nublados, os raios ultravioleta conseguem atravessar as nuvens e oferecem riscos a pele;
  • Usar um protetor solar com fator de proteção (FPS) 30 ou maior, reaplicando a cada duas horas;
  • Quando estiver no sol, usar chapéu, óculos de sol e se possível, roupas com proteção UV;
  • Monitorar as pintas regularmente utilizando a regra do ABCDE;
  • Fazer mapeamento corporal total.


Nas Clínicas Hexsel de Dermatologia, realizamos o acompanhamento completo do paciente, desde o exame clínico inicial, o mapeamento corporal nos casos indicados, a realização da biópsia, até o acompanhamento pós tratamento do melanoma, que também é essencial para a boa evolução do paciente.

Se você tem alguma lesão suspeita ou alguma dúvida sobre melanoma, entre em contato conosco.