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Perda involuntária de urina

Por Dr. Gabriel dos Santos Cunha, urologista, para o blog das Clínicas Hexsel de Dermatologia

 

O que é incontinência urinaria?

Uma pessoa é portadora de incontinência urinária quando ela perde a urina involuntariamente. Existe uma sociedade médica interdisciplinar que reúne profissionais que estudam as “continências” e os distúrbios do assoalho pélvico. Segundo essa Sociedade Internacional de Continência, a incontinência urinaria pode ser definida como qualquer perda involuntária de urina.

 

O que causa perda involuntária de urina?

Há várias causas, que vão desde as malformações do esfíncter e da uretra até as causas funcionais, como bexiga hiperativa.

 

O que é bexiga hiperativa?

A bexiga hiperativa (BH) é o quadro clinico caracterizado por contração vesical involuntária, ou seja, a bexiga contrai involuntariamente. Os sintomas são a urgência miccional, em que a pessoa precisa ir rapidamente ao banheiro, assim que sentir vontade de urinar, podendo ser ainda classificada com relação as perdas como BH Úmida (com perdas de urina) ou BH Seca (sem perdas de urina.

 

Quais são os primeiros sintomas?

A urgência urinária é um sintoma importante e que pode preceder a incontinência urinaria.

 

Qual tipo de perda involuntária é a mais comum?

A incontinência urinária de esforço é o tipo mais frequente. Definida como síndrome clínica de perda urinária aos esforços, como tosse, espirro ou qualquer esforço abdominal. A perda urinaria pode ser um sintoma referido pelo(a) paciente ou um sinal clínico identificado no exame físico, quando a perda urinaria ocorre mesmo na ausência de contração involuntária.

 

Quais as pessoas mais afetadas?

As mulheres são as mais afetadas. Em mulheres entre 45 e 60 anos, a prevalência varia de 25 a 35% e a incidência anual de 2 a 11%.

A anatomia da pelve feminina favorece as perdas urinarias, pois a uretra se implanta no assoalho pélvico a 90º, contra a gravidade. A uretra feminina é mais curta, com um débil mecanismo anti-refluxo. Além domais, gestações e partos normais também estressam estes delicadosmúsculos. O decréscimo hormonal a partir da 3ª década também agrava a síndrome urogenital.

 

Existem situações agravantes?

Há muitas doenças e condições que podem servir como agravantes ou desencadeantes. Diabetes, hérnias discais ou malformações congênitas como agenesia sacral são alguns exemplos.
A continência depende de vários mecanismos e condições. A integridade anatômica, integridade neurológica, bem como estado mental e cognitivos íntegros, são fatores importantes e definitivos para continência. Outros fatores que também como qualidade do colágeno individual, gravidez, paridade, lesões mecânicas causadas pela passagem da criança no parto, aumento da pressão abdominal de forma crônica (doenças bronco-pulmonares, por tabagismo ou asmática).

 

Quais as funções dos músculos pélvicos?

O grande mecanismo de continência feminina é a adequada passagem das pressões abdominais para o espaço vesical e uretral. Os músculos pélvicos tem papel fundamental, pois mantem o core bem sustentado e todos os órgãos no seu devido lugar. Isso garante que a pressão abdominal seja repercutida na uretra e ative os mecanismos de continência.

 

O que acontece com os músculos pélvicos com o envelhecimento?

Os músculos de todo o corpo tendem a perder força e massa muscular com o envelhecimento, inclusive os músculos pélvicos.
Com a gestação e parto via vaginal, paridade, decréscimo hormonal dentre outros fatores que discutimos acima, os músculos se tornam enfraquecidos, dificultando e até impedindo que essa pressão seja igualitariamente distribuída na bexiga e uretra, gerando as perdas urinárias por diferença de pressão entre as câmaras.

 

Como são tratadas as incontinências?

O tratamento da incontinência é, prioritariamente, multidisciplicar. Composto por fisioterapia pélvica, avaliação cirúrgica, medicamentosa sistêmica e tópica e a tecnologias (lasers e campos de ondas eletromagnéticas)

 

Os cremes vaginais ajudam?

Os cremes vaginais vão ser adjuvantes na manutenção desse arcabouço, melhorando a hidratação das mucosas, a sustentação e o tônus vaginal., além de ser uma importante barreira para as infecções urinárias

 

Os lasers são úteis?

Os lasers ajudam em todo o processo de manutenção da continência, desde a fatores indiretos como melhora da lubrificação, pela transudação do vasos, estímulo do colágeno. Este tema será abordado em breve, outro artigo no nosso blog.

 

Ginástica ajuda a melhorar as incontinências?

A ginastica é importante pois ajuda a manter a sustentação dos órgãos pélvicos em suas posições anatômicas, garantindo o mecanismo de continência por ocasião do aumento da pressão abdominal ou quando exigido pela bexiga e uretra.

 

O que há de novo no tratamento das incontinências?

As ondas eletromagnéticas (OEM) entraram recentemente no mercado, sendo que fortalecem os músculos através de múltiplas e intensas contrações dos músculos alvo. Alguns equipamentos, como o T- Sculptor utilizado em nossas clínicas, tem poltronas especialmente desenhadas para os tratamentos das incontinências. As OEM vão entregar até 60 mil contrações em 30 minutos, recrutando de forma global toda musculatura que precisa ser trabalhada e fortalecida. Trata-se de uma forma segura e eficaz de recrutamento muscular e melhora do tônus/ sustentação desse assoalho pélvico.

 

Como é feito o tratamento com OEM?

O tratamento é indolor, não invasivo, e o (a)paciente sequer precisa se despir durante a aplicação.. O tratamento normalmente será semanal (3x semana, intervalo 48h mínimo,  6-8 sessões)

 

Precisa fazer manutenção de tratamentos com OEM?

As manutenções vão ser avaliadas de forma individual mas também vai depender do grau de atividade física do paciente e como ele fará para realizar aquela manutenção. Paciente não sedentário: manutenção mensal ou repetir 3-8 sessões, depois em 3 a 6 meses)

 

Os diferentes tratamentos podem ser combinados?

Sim, as combinações são usuais em medicina, para melhorar e otimizar os resultados. As tecnologias combinadas permite também customizar os tratamentos, todos de acordo com cada paciente, suas características, histórico e particularidades.

 

E o tratamento cirúrgico das incontinências?

Se, por um lado, os tratamentos cirúrgicos não devem ser hipervalorizados, também não devem ser negligenciados, pois certos pacientes tem indicação formal para este tipo de tratamento. Esses pacientes, por maior que sejam os esforços de tratamentos não invasivos, podem não obter os resultados desejados e o tratamento cirúrgico, com colocação de tela sintética de sustentação, será indicado.